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Mulambo Acústico setembro 1, 2009

Posted by Pablo in Crítica, Música, Poesia, Propaganda.
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MULAMBO ACÚSTICO                                                            

 

1. Apresentação.

O grupo musical paraibano Mulambo Acústico surgiu da ideia de mesclar ritmos da cultura popular nordestina a outros estilos musicais, procurando situar a sua criação musical de forma contemporânea, num contexto global, a partir da poesia de Chico Berg, que escreve e compõe desde a década de 60. A diversidade musical do grupo compõe um mosaico de maracatus, cirandas, cocos, afoxés, jazz, rock, afrobeat e uma visível influência tropicalista.

"As abelhas não podem pousar num pau que não tenha flor. Ela é jurubeba vermelha, é Maria Mulambo, ela é banda voou" (ponto tradicional de candomblé).

Mulambo Acústico - a música paraibana que se faz com um olho no mundo

 

2. O show.

A proposta do grupo conduz a uma apresentação de grande riqueza rítmica, harmônica, literária e lúdica. O grupo trabalha músicas de autoria própria, evidenciando-se no show do Mulambo uma estética onde se utilizam elementos da cultura regional, e exploram-se, em especial, o violão e a viola nordestina, além da percussão de ritmos tradicionais, aliados a outras linguagens musicais, pertencentes a diferentes universos expressivos.

 3. A arte em favor dos Direitos humanos

O Mulambo, sensível à trágica realidade brasileira, conduz sua apresentação pelo ramo da denúncia social e aborda temáticas como a reforma agrária, o cárcere, o problema do negro no Brasil,a desigualdade, visando sobretudo, trazer à discussão uma proposta transformadora de mundo, a partir da arte-educação.

4.A atuação

O Mulambo Acústico possui uma trajetória dentro dos movimentos culturais. A banda vem participando de eventos promovidos por várias organizações e instituições locais – Ateliê Casa Velha, Batuque Quebra Quilos, grupo de cultura afrobrasileira Pérola Negra, Alabê Alujá, SESC, UFPB, CEFET, FUNJOPE, e pelos movimentos negro e estudantil, através da realização de shows e também na idealização e produção cultural.

 

5. O poeta Chico Berg

Chico Berg - poeta, compositor, vocalista e meu pai.

Chico Berg - poeta, compositor, vocalista e meu pai e meu brother.

Oriundo do interior do Ceará, o poeta Chico Berg é um misto de cultura urbana e rural. Sua produção artística é o reflexo da observação de bandas cabaçais, aboiadores, emboladores e grupos de maracatus, que marcaram sua vivência. Tendo chegado à cidade de João Pessoa, na década de 70, em plena ditadura militar, participou da Geração Xerox, sendo possível encontrar, espalhados pela cidade, vários livros de sua autoria, os quais gratuitamente distribuía para os transeuntes.

A partir de então, atua no cenário artístico do bairro de Jaguaribe, hoje, juntamente com seus filhos, que com ele compõem o grupo Mulambo Acústico, um dos quais é o responsável por este blog. Enquanto integrante fundamental do Mulambo, Chico Berg é o seu idealizador, sendo a sua liberdade musical e a profundidade da sua poesia as principais características das composições do grupo.

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Pra saber mais do Mulambo:

www.mulamboacustico.blogspot.com

 www.chicoberg.blogspot.com

Contatos:

mulamboacustico@yahoo.com.br

pablo_ccj@yahoo.com.br

 

Fones:

(83) 3241-2621

(83) 8893-1228

 

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Aprisco. dezembro 17, 2008

Posted by Pablo in Crônica.
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Você ligou. Ela não disse que não. Que sim, muito menos. No entanto, o não seria a resposta para agora. Ela não está preparada. Mas o sim não tarda. Como é que você sabe? Sabe porque sabe. Do não a gente aprende a escapar na malícia que o prego aprende a driblar a martelada do martelo. A voz diz quase tudo. Do tom de voz, você sabe que ela está com ele. Ela quer ficar com você. Você sabe que ela quer ficar com você porque você viu isso no apetite dos olhos dela, outro dia, olhando pra sua coxa branca. Você aproveitou que ela não estava olhando e deu aquela conferida pra ver se os peitos dela ainda estavam chupáveis. Estavam. Não há dúvida. Ela quer. Ela pensa que você não sabe. Ou, pior, ela pensa que você não quer. Você quer, mas compromisso é coisa pro pascácio titular oficial das atribuições de namorado dela. Você só quer o melhor lado dela. Andar de mãos dadas é com ele. Você ligou pra ela. Ela atendeu. Quase não lembra de você. Mentira. A voz sempre denuncia. Ela titubeia. Você não dá corda. Você fala besteira. Da vida. De dinheiro. Dos amigos. De algum livro, cantor ou qualquer outro artifício retórico para o amor fácil com a mulher dos outros. O homem solteiro tem que optar entre o escrúpulo e sua vida sexual. Você não optou pelo escrúpulo. Ela pensa no namorado. É um bom rapaz. Você não pensa nele. Pensar é pressuposto de não fazer. Ela quer fugir. Quase desliga na sua cara. Não vê razões para isso. Você só está conversando, como um amigo, como um leal amigo, pra falar da vida, do cansaço, do pesar de estar vivo. Você é um amigo leal. Só está ligando porque tem saudade. Não é uma saudade carnal. É uma saudade de amigo leal. Pelo menos, é o que você diz. Você está ligando com a lealdade que um cachorro ligaria pro seu dono que saiu pro trabalho. Isso é o que você diz. Na verdade, na verdade, o cachorro está ligando pro pedaço de carne.

Coco de Roda – Zé Sabino (Lucena – PB) dezembro 2, 2008

Posted by Pablo in Crítica, Crônica, Música, Vídeo.
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[Na véspera desse registro que fizemos com o Coletivo de Cultura e Educação Meio do Mundo, estivemos em um coco na cidade de Lucena].

Chovia muito. 

Cruzamos o mar a balsa e chegamos a tempo de assistir a festa da igreja.

Chovia mesmo. Eu lembro. Tinha um cachorro molhado, que olhava espantado pro coco. Não perdia um passo. Era o mais atento à dança.

Eu ainda pensei em explicar pra ele de que se tratava. Que aquilo é o coco e aquelas pessoas cantam o que cantam desde que nasceram. Que elas aprenderam com seus pais, que aprenderam com os seus. Não expliquei. Talvez ele nunca entendesse, como muitos paraibanos também não entendem.

Quanto àquela dança na lama… É que cultura popular tem disso mesmo.

Mas eu também estava espantado. Eu contei. Eram 28 pés de pessoas que, sem um porquê material, descalças, pisavam e chutavam o preto da lama. 

Puxando o coco, um ganzá, dois tambores, dois velhos pescadores. No começo, um ou outro sorriso tímido, até que alguém, que creio bêbado, conquista o microfone, prestigiando-nos com atentados ao pudor, que não vêm ao caso.

Aquele canto cru do coco, escrevendo de novo a história, era muito bonito.

Na dança, as canelas, agora pretas de lama, testemunhavam o heroísmo de aquele coco cruzar os temporais e o tempo, e ainda estar ali.

A chuva. O rodopio das saias molhadas. O mar, lá longe, completava o côro das velhas. O toró áspero em cima da gente e a gente embaixo de um pedaço de lona furada que a prefeitura arrumou.

Minha alma, meu pé, ali. Na lama. Uma lama tão preta, como pretos eram os pés e braços que, no meio da noite, insistiam em dançar e tocar cantigas antigas de cocos de roda.

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(em homeagem a Maria Ignêz e Marcos Ayala).

Meninos do Valentina novembro 21, 2008

Posted by Pablo in Crônica.
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Lá ia um grupo de meninos, felizes e descalços, cantando, felizes e juntos. Na frente, um branquinho de orelhas quase tão grandes quanto as minhas. Atrás, os demais. Um carequinha, no meio dos que estavam atrás, puxava o côro. Usava um brinco e não tinha dois dentes da frente. Era o responsável principal pela insatisfação de toda a comunidade. A alegria alheia incomoda sempre à mulher da padaria e às feiosas do culto evangélico. 

O desafino de vozes e palmas cruzou a esquina e entrou num beco qualquer, de rua de barro.

Ide, meninos do Valentina. Ide, cantando para a vida, que os separará e os humilhará um a um por entre os becos do mundo.

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 Rubem Braga é sempre uma inspiração.

O Impacto da Indústria Cultural nas Relações Afetivas do Homem Contemporâneo setembro 25, 2008

Posted by Pablo in Crítica, Crônica.
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- Amorzinho…

- Oi?

- Amanhã eu vou pra um forró. Você quer ir comigo?

- Não, obrigado. Tenho muito o que estudar. Mas vá com Deus.

- Eu vou mesmo! Os mortos que fiquem.

No outro dia, os mortos ficavam e lá ia ela, revoltada, pro seu show de forró. Quando voltava, a conversa prosseguia:

- Eu dancei com uns quinze caras hoje…

- Mais alguma coisa que eu precise saber ou eu posso continuar estudando?

- Amanhã tem outro. E eu quero ir.

Aqui liga-se o piloto automático da conversa.

- Então vá.

- Mas os rapazes ficam pensando que eu sou solteira…

- Então não vá.

- Mas eu quero ir…

- Então vá…

- Eles vão dar em cima de mim, criatura… Será que você não entende isso?

- Então não vá!!! Sei não… Mulher é cheia de dúvida…

- Eu quero é que você vá comigo, seu desgraça!!! (às vezes ela usava o termo “desgraça” pra dar voz ao desprezo que jazia em seu peito… mas ela era gostosa e isso é o que importa, não é?).

- Eu já expliquei mais de quinhentas vezes, mas vou tentar ser mais explícito nesta oportunidade. Veja bem, minha flor. Eu, particularmente, não tenho nada contra o forró. Na verdade, eu sou fã incontestável de Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Toinho de Alagoas, dos Cabras de Mateus, Benedito do Rojão, Zé do Norte e da Banda de Pífanos de Caruaru. Tenho minhas ressalvas com os trios de forró-pé-de-serra, porque eles – quase todos! – repetem em plenos dias de hoje o que Luiz Gonzaga fazia  há 40 anos atrás… Uma tradição inventada, mas que eu gosto. Com ressalvas, mas gosto. Agora, só aqui pra nós, belezura… forró-de-plástico não tem a menor condição, minha santinha… Aquilo lá é um xenhenhém, um Afeganistão… e, sinceramente, eu não piso naquele bangue-bangue enquanto baterista e sanfoneiro não fizerem as pazes…

Aí o mundo desabava:

- Você não me ama não… Se você me amasse, você me acompanhava pra onde quer que eu fosse…

- Você chega a cada conclusão, viu?

- Podia ser pro inferno…

- É o caso…

- Ama não…

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“Mas há quanto tempo dura essa discussão indefinida e sempre nova? O que fazer? O que pensar? Por quê? Como? Dia após dia renasce essa obsessão, sempre fatigante e vã. Dia após dia recomeça esse gosto de febre na boca, essa tristeza no coração, essa fatiga de corpo sonolento. Mesmo que se encontrem respostas para essas perguntas, surgirão outras, exatamente iguais, num carrossel implacável. A verdade é que no presente árido não há mais nada para amar nem para pensar… Falamos do amor como falam as pessoas que já deixaram ficar a vida para trás…”. (Simone de Beauvoir)

Blogs à Meia-Noite. março 21, 2008

Posted by Pablo in Crítica, Crônica.
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Não é meia-noite ainda, mas hoje a reflexão chegou mais cedo.

Como se não tivesse nada mais para fazer (e olhe que tenho!), fico a passear pelas palavras de amigos e de estranhos por entre blogs ligados a blogs de amigos e estranhos. Praticamente sem querer, filosofo. Pensava em refletir sobre a palavra, a linguagem, seus limites e suas potencialidades, mas desengana-me a temática. Prefiro trocar de assunto; estou tão libertário hoje. Não vamos falar em prisões.

Para azar das minhas tantas ocupações, por hoje o passarinho de minh’alma me transportou para entre músicas, poesias, crônicas e fotografias virtuais. Hoje fui longe. Ligando-me a tudo isso, os novos parceiros da meia-noite: os blog’s.

Depois de horas diante da tela do computador, percebi que fiz mais do que simplesmente manusear mouse e teclado. Explorar a rede é participar do mundo. É construir, criar, criticar, surpreender-se com o homem, decifrar esfinges, rever posições. Mais ou menos como vestir aquele sempre guardado e adiado para mais tarde chapéu de Indiana Jones e sair a explorar pirâmides, ilhas, cavernas e, mais que tudo, devorar tribos inteiras.

Pulo por entre versos. E vago saudável e irresponsável atrás do nada, perdido no buraco negro do conhecimento. Procuro apreendê-lo mais a fundo, mas sei que a poesia maior do mundo está muito mais em tocá-lo com as mãos e sentir de perto o seu bendito e maldito cheiro de gente.

Mas o cheiro de gente ainda está por aí, na rede, em algum lugar.

(A propósito, a frase mais bonita de Lenine: “Se a rede é maior do que o meu amor, não tem quem me prove“).

Cá na internet, parece que existe uma espécie de entrelaçar virtual que cria pontes e religa culturas, que por si sós, já se ligavam de antes, pois se cruzaram nalgum momento da História. Porém, agora se cruzam de novo, e recruzam, multiplicando possibilidades.

Claro que falo isso com algum cuidado para não parecer que o mundo globalizado é lindo. Hoje não me encontro lá muito apaixonado pelo ser humano. Hoje quero mesmo é que a humanidade se exploda, ora. Não venho exaltar as benesses do mundo global e esquecer que com base no individualismo que lhe dá substância se pode explicar a indigência daqueles que, minutos atrás, estavam a dormir em minha calçada, enquanto deixava meu computador em espera pra ir ali comer um cachorro-quente, no mundo real. É nesse mundo concreto que a fome mostra o rosto.

Apesar de tudo, ainda acho que a essência própria da rede, sua cor, seu sentimento se situam um tanto distantes do estranho lado perverso do homem de carne e osso.

Por aqui só aflora o que é belo.

Ao menos  virtualmente, quase não existem mais distâncias físicas e sociais. Aparentemente todos podem chegar onde querem.

Recentemente, meu irmão e eu fizemos um mapeamento de blogs de música alternativa, a lista dos quais adiante repasso aos interessados. Por acaso, deságuo num blog sobre a discografia completa de Violeta Parra. Mais à frente, revejo um blog antigo de world music, de que nem lembrava mais. Democracia? Não, enquanto houver fome, mas meu lado libertário insiste para que eu creia nela mais perto.

Aliás, como disse Chico César, noutra oportunidade, quando ela chegar, “não esperem espetáculo, festinhas de lançamento, tititi, roupinha da moda, videoclipe, óculos de ciclista. Não há tempo, dinheiro, gente nem vontade de fazer essas coisas”.

Sempre pensei longínquo o dia do acesso pleno às culturas de todos os povos. Certamente, naquele dia tão distante, cantariam bem alto nas rádios – para além da feia música americana imperialista – também os sons alternativos, que se fazem no Peru, Nicarágua, Bolívia, El Salvador, Mali, Nigéria, Bósnia e Afeganistão, e também os que fazemos nós, com nossa cara e que, entretanto, desconhecemos.

Hoje vi que preciso repensar a crítica. Talvez o tempo da democracia cultural esteja mais próximo do que eu pensara. Obsoleto, eu é que ainda não tinha me dado conta. Concentrados os meios de comunicação massiva, em mãos promíscuas, precisamos tratar de providenciar formas outras de democracia. Formas nossas.

Formas e não fôrmas, galera: não vamos falar em prisões.

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A LISTA. Dicas para pesquisar. Vá baixando os CD’s disponibilizados, aleatoriamente, e se deixando encantar.

Se possível, compre um HD maior…

1. Um que tenha: http://umquetenha.blogspot.com/

2. Brazilian Nuggets: http://brnuggets.blogspot.com/

3. Cápsula da Cultura: http://www.capsuladacultura.com.br/blog/

4. Buena Musica Social Blog: http://buenamusica-blog.blogspot.com/

5. Perrerác: http://perrerac.blogspot.com/search/label/Inti-Illimani

6. Violeta Parra: http://discosvioleta.blogspot.com/

7. Eu ovo. http://euovo.blogspot.com/search/label/S%C3%A9rgio%20Sampaio

8. Música Social: http://musicasocial.blogspot.com/

9. JazzyMusic: http://jazzymusic.org/

10. Bolacha Sonora: http://www.bolachasonora.blogspot.com/

11. Abracadabra: http://www.abracadabra-br.blogspot.com/

12. Terrorista Dub: http://terroristadub.blogspot.com/

13. Vila de Patos: http://www.viladepatos.blogspot.com/

14. BR-Instrumental: http://br-instrumental.blogspot.com/

15. Fonalidade Secarrão: http://www.fonseca-nordestinismo.blogspot.com/

16. Durango: http://durango-95.blogspot.com/2006/07/byografia-vitor-ramil.html

17. Feijão Tropeiro: http://feijaotropeiro.blogspot.com/

18. Penca de Discos: http://pencadediscos.blogspot.com/

19. La Cofradia: http://aguantelacofradia.blogspot.com/

20. Música Paraense: http://www.musicaparaense.blogspot.com/

21. Som Barato: http://www.sombarato.org

22. Babe(B)logue: http://babeblogue.blogspot.com/

O Sexo dos Anjos. março 3, 2008

Posted by Pablo in Crônica.
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O telefone tocou. Atendi. Era Miguel. Mas Miguel de onde? Do Reino dos Céus, disse ele, com uma voz suave. Estranhei.

De toda forma, convidei-o para me fazer uma visita, afinal de contas não é sempre que o santo arcanjo resolve descer do céu e trocar uma idéia com você, não é verdade? Não sendo de minha laia fazer desfeita com gente importante demais, combinamos um chá.

Pois bem. O anjo do Senhor me apareceu à noite. Ele veio com uma conversa estranha, “darás à luz um filho”… Não disse a ele, mas achei aquela conversa milagrosa demais para o meu gosto. Mas fui dando corda pra ver a que ponto chegaria o mensageiro de Deus.

Ele se aproximou e a intensidade luminosa foi diminuindo até que se me permitiu verificar tratar-se não de um anjo, como supus inicialmente, mas de uma anja.

Aliás, data venia, que anja. Tinha as coxas grossas e a cintura bem delineada, de modo que admirar aquela bela criatura divina apenas com os olhos exigir-me-ia uma resistência exaustiva – em especial porque as vestes no Reino de Deus são de um fino tecido branco tal que pêlos pubianos se apresentam à mostra, sem muito pudor. E eu, que não sei o que é o pecado e não interpreto o catecismo ao pé da letra, olho mesmo e me deleito.

Michele quebrou na minha. O nome masculino me incomodava. Passei a chamá-la com nome de moça. Ela me pareceu entender a mensagem subliminar. A obstinação dos meus olhos a encarar-lhe a cintura deixava nítido que eu ainda era homem. De carne e sangue nas veias.

Tranqüila, ela se deixava fitar.

Considerando que o anjo do Senhor noutras muitas oportunidades já houvera mostrado sua face a tantos outros filhos de Deus, e tendo eu ciência de respeitáveis estudos apócrifos realizados para ajudar fiéis, que, como este privilegiado que vos dirige a palavra, viessem a tecer alguma comunicação com os entes sobrenaturais, a identificarem precisamente quando se tratasse realmente de um anjo e não de um fajuto espírito errante, reparei uma lacuna essencial nos ensinamentos.

Nenhum dos que me precederam houveram feito referência à genitália angelical – não sei ao certo se por medo da repercussão ou se por não saberem bem fazer diferença entre genitálias.

A verdade é que eu senti-me sonegado. Justo eu, um leitor assíduo de revistinhas de auto-ajuda esotérica. Absolutamente logrado. Como, por tanto tempo, puderam omitir à humanidade a informação mais importante acerca da virtude angelical? Os anjos são mulheres! Queria gritar ao mundo inteiro. Mulheres, que se deixam olhar – e tocar.

Engraçado. Nunca cogitara ser tão relevante refletir sobre o sexo dos anjos quanto agora.

Bem sei, caro leitor, que esperas de mim que narre cenas de amor intenso, em que a anja tira a roupa, geme e se entrega perdidamente às carícias deste galanteador barato. Lamento decepcioná-lo. Não tenho autorização para tratar desse mérito. Não que eu tenha esta pretensão tamanha, mas vai que Deus lê esse texto…

Pela sua reputação, bem sei que Ele, conservador que é (deve votar nos Democratas), é bem capaz de execrá-la do paraíso – coisa que, apesar da completa casualidade da relação que mantivemos, não me parece correto condescender. (Na melhor das hipóteses, caso descubra por onde rondara aquela angélica boca, é capaz de proibir a bela entidade de beber do Santo Graal).

Se bem que, quanto a esse terrorismo sexual, duvido muito que não passe de mero estereótipo comercial acerca dEle. Puro marketing. Pelos suspiros de “meu Deus”, em meu ouvido, Michele me pareceu recordar momentos outros de prazer, igualmente sonegados pela história tradicional.

De toda maneira, têm sido outras as palavras do arcanjo que me têm ressoado às noites. “Darás à luz um filho”… Eis aí uma conversa que sempre me atormentou. Eu, grávido.

Todavia, ando despreocupado.

No calor da brincadeira, ela nem notou. Tempos modernos, relações esporádicas: mesmo com anjos, camisinha sempre. Com coisa séria não se pode dar vacilo.

Sabe Deus se ela tinha doença venérea ou ia querer pagar a pensão do menino…

Até que creio em anjos e milagres; não em juras de amor.

Bêbados. dezembro 23, 2007

Posted by Pablo in Crônica, Fotografia.
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Tarde da noite e maltrajado, um bêbado me bateu à porta.

Confesso que nunca me dei bem com o álcool. Sempre me revoltou comparar o número de vítimas letais de doenças hepáticas e acidentes em estradas com os índices de lucratividade das grandes empresas exploradoras desse mercado.

Contudo, o mínimo de compreensão do alcoolismo como doença de que padecem os indivíduos, reféns do descontrole total de seus próprios atos, sempre me fez, ainda nos casos mais complicados, respeitar-lhes a dignidade. Não foi, porém, o que sucedeu com o meu visitante.

Ele pedia comida. Certamente morreria engasgado com aquele resto de cuscuz que me sobrava na panela. Mulheres, pouco dinheiro, monografia por fazer: com certeza eu já tinha problemas demais. Não queria ainda responder por tentativa de homicídio. Disse-lhe um “não” tão seco e ríspido que ele, mesmo embriagado, não ousou me incomodar mais.

Aquele pobre alcóolatra semi-cerrou os olhos, baixou a cabeça e engoliu as dores da vida. Na verdade, o silêncio que pairou me disse mais do que poderia dizer qualquer sociólogo. A mim, este imbecil de classe média, a aprender com um bêbado de rua. Estava completamente alcoolizado, é verdade, talvez dormisse na rua aquela noite, mas não preservava a humanidade? Pelo menos foi o que me indagaram seus olhos. Teria família, o desgraçado?

Virou as costas e não me agradeceu. “Bêbados não agradecem”, pensei eu. “Muito menos quando se nega o que eles pedem”. Sorri, diante da mediocridade do meu pensamento. Fechei o portão, antes que ele voltasse.

“E eu vou morrer de fome, doutor?” – não sei se foi o homem ou a minha consciência.

Pablo.

Circuito Cultural das Praças 2011/2012 julho 19, 2011

Posted by Pablo in Notícia.
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A Prefeitura Municipal de João Pessoa está com as inscrições abertas para o edital do Circuito das Praças – 2011/2012. Aos interessados em participar, as inscrições vão de 19 de julho a 08 de agosto de 2011. Aqui vai o edital para quem se interessar em se inscrever.

http://www.4shared.com/file/0f2-Uirb/Circuito_das_Praas.html

Criticar novembro 5, 2009

Posted by Pablo in Crítica.
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“Criticar significa colocar em crise, enfrentar os mitos, sem a ilusão de uma sociedade futura perfeita e racionalmente estranha à necessidade humana de mitologias. Refletir para sonhar. Pensar pela paixão. Conhecer o pensamento para pensar o conhecimento e colocar a ciência a serviço da huamnidade”.

(Juremir Machado da Silva – em “O Método” de Edgar Morin).

Parafraseando. Conhecer a cultura para pensar a cultura e colocar a arte a serviço da humanidade.

A Federalização do caso Manoel Mattos julho 4, 2009

Posted by Pablo in Abordagem Jurídica.
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metralhadoraO advogado Manoel Mattos denunciava a atuação de grupos de extermínio na fronteira de Pernambuco e Paraíba havia mais de dez anos. Estes grupos de extermínio atuam na região de Pedras de Fogo e Itambé, cidades limítrofes que são marco de divisa entre os Estados da Paraíba e de Pernambuco. Têm como foco o extermínio de meninos de rua, supostos marginais, homossexuais e trabalhadores rurais. Há indícios de que esses grupos sejam patrocinados por comerciantes da cidade. Estes criminosos se definem como defensores da sociedade e responsáveis por uma espécie de “limpeza” social, e utilizam a proximidade entre os Estados, como fator de impunidade, visto que quando crimes são cometidos na Paraíba, os corpos s& atilde;o jogados no Estado de Pernambuco; quando os crimes são cometidos em Pernambuco os corpos são “desovados” na Paraíba. As investigações realizadas pela Promotoria de Justiça de Itambé desde 1999 e as informações obtidas pela CPI da Câmara Federal sobre Grupos de Extermínio apontam que há conivência e inclusive participação de algumas autoridades policiais e judiciárias locais na execução de tais crimes. O advogado e defensor de direitos humanos Manoel Mattos denunciou amplamente os crimes destes grupos para autoridades estaduais e federais. Passou a ser perseguido e ameaçado de morte. Em 2002, após a Justiça Global e a Dignitatis Assessoria Técnica Popular entrarem com um pedido de medidas cautelares, a OEA determinou ao Estado brasileiro que fosse garantida a proteção da vida e da integridade física do advogado e de outras quatro pessoas. Não foi suficiente: a falta de apuração das autoridades locais e o descaso com as determinações da OEA deixaram o terreno livre para o assassinato de Manoel Mattos, em 24 de janeiro de 2009. Em 28 de janeiro de 2009, quatro dias após o homicídio de Manoel Mattos, a Justiça Global e a Dignitatis solicitaram ao Ministro da Justiça a aplicação da Lei 10.446/2002, no sentido de determinar que a Polícia Federal realize as investigações do caso. No dia 10 de fevereiro, menos de um mês após o crime, Justiça Global e Dignitatis encaminharam ao Procurador Geral da República, Antonio Fernando Souza, um dossiê sobre a atuação dos grupos de extermínio na fronteira entre os dois estados, juntamente com um requerimento de instauração de Incidente de Deslocamento de Competência (IDC), recurso que transfere para a esfera federal a competência para julgar o caso. As organizaçõe s afirmaram que a federalização não poderia se restringir apenas à investigação do homicídio de Manoel Mattos: todas as denúncias envolvendo grupos de extermínio na região deveriam passar a ser investigados pela Polícia Federal; além disso, todos os procedimentos judiciais deveriam passar à responsabilidade do Ministério Público Federal e da Justiça Federal, saindo do controle de autoridades locais. O IDC se justifica nesse caso por diversas razões. Há um lapso temporal de pelo menos dez anos, desde as primeiras denúncias da atuação do grupo de extermínio, sem que houvesse a devida apuração dos fatos e o conseqüente desmantelamento do grupo criminoso. Uma vez que há o envolvimento de policiais nestes grupos, os agentes de Pernambuco e Paraíba não têm independência para investigar os crimes praticados pelo grupo de extermínio Vale lembrar que o principal suspeito da morte de Manoel Mattos e integrante da Polícia Militar do estado da Paraíba. Por outro lado, algumas autoridades competentes – entre eles policiais, delegados de polícia e membros do Ministério Público – que corajosamente investigaram a atuaç&atil de;o destes grupos, sofreram represálias (foram transferidos para outras comarcas contra suas vontades, sofreram processos de sindicância) encontrando-se, portanto em situação de vulnerabilidade para o exercício da atividade policial e jurisdicional. Reforça a necessidade de deslocamento de competência o fato do caso estar tramitando em instância internacional. O Brasil descumpriu as medidas cautelares da OEA no que se refere à proteção (duas das cinco vítimas de ameaças albergadas pelas medidas cautelares foram assassinadas) e ainda está pendente de cumprimento da recomendação da CIDH referente à responsabilização dos agentes criminosos e da ação dos grupos de extermínio da Paraíba e Pernambuco. Além disso, tanto o (então) governador da Paraíba, como integrantes do Governo de Pernambuco e o Conselho Estadual de Direitos Humanos de Pernambuco, manifestaram-se publicamente no sentido de reconhecer – dadas às circunstâncias dos fatos – a impossibilid ade dos Estados federados conduzirem a investigação, o processamento e o julgamento de tais crimes. Na última quarta-feira, dia 24 de junho de 2009, a Procuradoria Geral da República requereu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a instauração do IDC para transferir para a Justiça Federal a investigação, o processamento, julgamento não só do homicídio de Manoel Mattos como também do grupo de extermínio atuante na divisa da Paraíba e Pernambuco, nos moldes do que havia solicitado pela Justiça Global e pela Dignitatis. O Incidente de Deslocamento de Competência (conhecido como “federalização dos crimes de direitos humanos”) está previsto constitucionalmente desde a Emenda Constitucional nº 45/2004. Desde então, o ordenamento constitucional brasileiro, no seu artigo 109, V, passou a garantir a competência de juízes federais para processar e julgar graves violações de direitos humanos. O novo instituto representa uma histórica demanda daqueles que lutam pela plena efetivação da democracia e dos direitos humanos, em virtude da constatação do alto número de graves violações de direitos humanos que permaneceram impunes, devido à falta de imparcialidade, à inércia, ou à negligência das autoridades locais em apurar e julgar tais abusos. Contudo, o Incidente de Deslocamento de Competência até agora nunca chegou a ser aplicado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

JUSTIÇA GLOBAL DIGNITATIS – ASSESSORIA TÉCNICA POPULAR

Conheça e acesse: http://www.global.org.br

Cinema janeiro 3, 2009

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cinema

O violão de Segovia dezembro 31, 2008

Posted by Pablo in Vídeo.
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Candomblé: A família africana no Brasil dezembro 22, 2008

Posted by Pablo in Artigo.
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Logo após o achamento do Brasil em 1500, os lusos trouxeram para essas terras, negros provenientes de varias regiões da África, por meio de navios negreiros, ou melhor, tumbeiros como eram também conhecidos. Esses negros não vinham em pequenas quantidades.

Populações inteiras foram trazidas e quando chegavam aos portos brasileiros, os negros eram forçados a trocar seus nomes, ser batizados na religião católica e logo em seguida eram misturados por etnias para dificultar a resistência.

Depois de todas essas tentativas de aculturação, eram vendidos como escravos para os mais variados serviços. O mais comum era a lavoura de cana-de-açúcar, típica dos primeiros momentos da colonização. Com a crise dos preços do açúcar brasileiro, que terminou por levar os preços do açúcar a caírem devido à concorrência por parte das Antilhas Holandesas, os cativos foram gradativamente sendo vendidos para outras atividades como a extração de minérios e logo após para o plantio do café.

Lá na África, essas pessoas tinham suas crenças em seus deuses, cada cidade africana tinha um Orixá zelador, a cidade de Oió, no atual Guiné-Bissau, por exemplo, tinha o Xangô que a protegia. Já em Ire, Ogum era venerado como o deus do ferro e da guerra. Quando essas populações chegaram ao Brasil e foram separados de seus familiares e mesclados com outros povos, os seus Orixás também foram misturados.

De princípio, os cultos aos orixás eram realizados individualmente: cada pessoa invocava o seu. Já, com o passar do tempo, esses cultos outrora individuais passaram a se tornar coletivos, e ao invés de se cultuar um só Orixá, agora se passa a se reverenciar a todos as entidades representados naquele local.

Como os entes foram separados, quase todos os indivíduos não tinham laços de parentesco. Ou seja, a família foi desmantelada pela conjuntura escravista. No entanto, o africano, como um individuo que resistiu bravamente a escravidão, passa a reinventar a sua família africana no Brasil. Seu chefe religioso passa a ser seu pai em Santo e a líder espiritual se torna a sua mãe em Santo, todos os iniciados na Religião dos Orixás são seus irmãos em santo e assim estava formada a família negra em terras brasileiras.

Os pais ou as mães de santo, ou melhor, os babalorixás e as yalorixás respectivamente citado no dialeto yorubano, exercem autoridade sobre seus filhos, pois existe uma relação de poder semelhante à de uma família convencional que conhecemos. Em cada terreiro, essa família vivia (e ainda vive) suas memórias da grande mãe África e suas tradições são reelaboradas a partir das experiências vividas e com o contato com as outras culturas. Aliás, o fato de se associarem entidades da religião católica aos Orixás é uma prática de resistência cultural que visava a ludibriar a fiscalização e repressão por parte da Igreja.

Apropriar-se de elementos de outras culturas é uma característica peculiar dos povos africanos, de modo a somar a sua cultura com aquelas a que têm contato. Assim estava construído o Candomblé: a família africana no Brasil. Religião essa, que nossos antepassados sabiamente construíram e ainda hoje é fortemente cultuada em todo o Território.

(Artigo escrito por Felipe Agenor de Oliveira Cantalice, graduando pela UEPB – Guarabira).

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“O candomblé ainda é a voz que faz o negro se juntar/Pra ser feliz ainda não dá/ enquanto um negro, um só negro, um só chorar”. (Naná Vasconcelos).

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Música de terreiro?

Aqui tem: http://www.4shared.com/dir/955083/f7c0647f/sharing.html

No caminho do mercadinho. dezembro 17, 2008

Posted by Pablo in Crônica.
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No caminho do mercadinho, mais uma cena hilária com a dona Marocas, que está devendo trinta anos à cova, mas ainda tem algum dinheiro no banco. Aliás, dinheiro esse que terminou lhe rendendo um prestígio ímpar no culto religioso a que freqüenta e um fogoso namorado quarenta anos mais novo. A cena hilária, contudo, não foi na reza nem no amasso. Foi com seu amarelo e simpático vira-lata, que depois de anos de uma religiosa e casta obediência, decidiu reivindicar seus direitos à lubricidade.

- Agora você quer entrar, né? Hein? Hein?

Pra que aquela insistência no “hein”? Ela queria o quê? Que ele respondesse? Quero entrar sim, dona Marocas. Aproveite e, quando vier, traga um bocado daquele bife velho e oleoso que a senhora fritou no almoço e que, se tivermos sorte, vai cumprir a funesta missão de entupir nossas veias mais ligeiro do que nós pensamos. A senhora não tá vendo que tá arriscando chover, não? Abra logo essa porta que eu estou mijando-me.

- Você foi fazer o quê no meio da rua? Eu não disse pra você não ir?

Aquela velha era mesmo uma metida. Eu falo alguma coisa quando aquele motoqueiro fedorento aparece e leva a senhora na garupa, por acaso? Se eu fui passear foi porque eu quis, varei. Pra sua informação, eu estava ali na esquina, conquistando corações. Agora vai ser assim, minha cara. Se eu quiser sair de novo, a senhora vai me desculpar, mas eu vou sair e em todo o planeta Terra não tem carrocinha ou cidadão que me segure dentro de casa. Eu tou me mijando, mulher. Abra essa bexiga dessa porta! Eu vou fazer aqui no terraço mesmo, viu? Depois que a catinga ficar pegada no tapete não vá botar a culpa pras visitas na minha “incontinência urinária”.

- Você devia dar mais valor ao que tem…

Ao que eu tenho? Metida e desorientada. Depois que o motoboy apareceu, adeus vida boa. Vou mijar, viu? Já tá avisada. E também não sei pra que tanta cerimônia… Ela é uma cachorrinha decente, de família. Fiel que só vendo. Tem outra coisa. A senhora não pense que eu já me recuperei daquela concupiscência que eu vi vocês dois fazendo no escuro da noite, lá no quintal de casa não, viu? A senhora!… Nessa idade!… Essa casa parece que virou Sodoma e Gomorra. Em tempo de passar alguém da igreja e pegar a sem-vergonhice de vocês no flagra… Nã. Dê-se ao respeito… O orelhudo que vai todo dia pro mercadinho comprar biscoito já notou, viu? Se eu fosse ele, ligava pra polícia…

- Nessa casa você tem de tudo, cachorro inconseqüente…

De tudo? Metida, desorientada e ainda por cima doida. De tudo não, que aqui eu não tenho uma namorada…. Tou mijando, viu? A senhora demorou pra abrir a porta…

Dialogar com ela não era mesmo uma alternativa nunca, porque ela não entendia nada. Parecia que estava gagá. Será que era isso mesmo? Devia ser. Gagá da silva. Dona Marocas Gagá da Silva, a loucura em pessoa.

- Qualquer dia eu resolvo dar um fim em você e aí você vai ver quem é a verdadeira dona Marocas, seu ingrato.

O cachorro olhou para a dona Marocas com a nobreza de um conde. Ele sabia que ela ameaçava, ameaçava, mas tinha o coração mole. No entanto, aquilo estava muito errado. A dona Marocas pode namorar, todo mundo pode namorar, menos o pobre do cachorro? Por quê? Ele era jovem. Só porque ele é um cachorro não pode namorar? Ah, não. Isso ia mudar dali pra frente.

- Na próxima vez que você mijar no terraço, você apanha, tá ouvindo?

Vai te catar, dona Marocas. Cadê o bife?

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