Comentários Críticos à Cultura Paraibana

Blog de George

Publicado por: Pablo em: Junho 13, 2009

http://www.paraibapercussiva.blogspot.com/

A Noite da Beleza Negra – 19/06/09

Publicado por: Pablo em: Junho 4, 2009

"A Noite da Beleza Negra"

"A Noite da Beleza Negra" - 19/06/09

A Noite da Beleza Negra – 18/06/09

Publicado por: Pablo em: Junho 3, 2009

Debate: A Importância do Fortalecimento de uma Identidade Negra como Resistência à Opressão Cultural

Debate: A Importância do Fortalecimento de uma Identidade Negra como Resistência à Opressão Cultural

“A Noite da Beleza Negra”

Publicado por: Pablo em: Junho 2, 2009

Promovido pelo grupo de capoeira, dança e percussão Alabê Alujá, a “Noite da Beleza Negra” é um evento que se realizará entre os dias 18 e 21 de junho, por toda a cidade de João Pessoa, ocasião em que se realizarão um debate acerca do tema “O Fortalecimento da Identidade Cultural Negra como Resistência à Opressão Cultural”, várias oficinas, um show no Centro Histórico de João Pessoa e um baile afro, no Ateliê Cultural de Nay Gomes. No Teatro Lima Penante, hospedar-se-ão indivíduos vindos de várias localidades, com a finalidade de participar do evento.

Já em sua terceira edição, a “Noite da Beleza Negra” desta vez conta com o apoio da FUNJOPE, SESC, SEBRAE e UFPB, e terá sua abertura no auditório do Centro de Tecnologia da UFPB, onde serão discutidas algumas das muitas dificuldades enfrentadas pela população negra em nosso país, abordando-se em especial a questão do tratamento dispensado pelo Estado às comunidades quilombolas, a violência policial e institucional contra os negros, a questão da cultura popular negra, além de se analisar, a partir da perspectiva dos movimentos sociais de luta pelo equilíbrio racial, as políticas públicas voltadas à inserção das classes subalternas em espaços estratégicos como as universidades públicas, através das ações afirmativas. O debate está agendado para o dia 18 de junho, às 19 horas.

Dando seguimento ao evento, a partir do dia 19, realizar-se-ão várias oficinas, no bairro de Cruz das Armas, com destaque para as de penteado afro, danças populares, dança afro, artes plásticas, capoeira e pintura artística corporal.

À noite, ao som do Projeto Glória Vasconcelos apresentam-se os grupos Sudamérica, Anonimato e Mulambo Acústico. O Mulambo é um grupo paraibano de pesquisa da cultura popular nordestina, negra e indígena, que envereda pelos rumos da música regional e “explora a realidade da cultura pop pós-mangue e erudita pós-armorial”, conforme se definem os próprios.

Às 20h do dia 20/06, acontecerá ainda um baile afro, no Ateliê Multicultural de Nay Gomes, onde se apresentarão o Maracatu Aruenda da Saudade, de Pitimbu – PB, o grupo Imburana, de João Pessoa e dar-se-á a estreia do espetáculo de dança afro “Herança Ancestral”, a cargo do grupo de afoxé Alabê Alujá.

Para encerrar o evento, às 09h do dia 21, Escurinho Badauê lança seu primeiro CD independente com cantos de capoeira, seguindo-se do batizado de capoeiristas iniciantes, quando lhes serão atribuídas a primeira graduação e serão entregues a primeira corda. A partir de então, os novos lutadores serão apresentados à comunidade capoeirística.

Para participar das oficinas da “Noite da Beleza Negra”, ou conhecer as atividades promovidas pelo grupo Alabê Alujá, basta entrar em contato através de qualquer dos telefones: – em João Pessoa: 8837-4380 (Escurinho), 9342-0086 (Edel) ou 8893-1228 (Pablo); – em Campina Grande: 8740-3573 (Mestre Sabiá) ou 8720-2009 (Marco Aurélio).

Cinema

Publicado por: Pablo em: Janeiro 3, 2009

cinema

O violão de Segovia

Publicado por: Pablo em: Dezembro 31, 2008

agauna

A música instrumental entra em cena na programação do final de ano da Capital, a partir da próxima sexta-feira (26), às 19h, no palco armado entre as praias de Tambaú e Cabo Branco, próximo ao Busto de Tamandaré, com o início do Festival Música do Mundo. A abertura do evento contará com apresentações da Orquestra de Violões e a banda Aguaúna. O projeto, que acontece até a terça-feira (30), é promovido pelo Governo Municipal, por intermédio da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope).

A Orquestra de Violões da Paraíba, que abre oficialmente o Festival, foi criada em maio 1992 pelo maestro Gladson Carvalho, sendo considerada ícone na cultura paraibana por sua contribuição musical e formativa. O grupo realizou concertos por todo o Nordeste, incluindo inúmeras cidades do interior da Paraíba, deixando seu trabalho registrado em três CDs, um deles lançado pelas Edições Paulinas e que tem sido vendido por todo o Brasil e Europa, divulgando dessa forma o potencial artístico-cultural paraibano.

Em 1997, o grupo foi desativado até que em maio de 2005 voltou à cena musical sob a coordenação de Carla Santos e Cyran Costa, ex-integrantes da orquestra desde sua criação no ano 1992.

Após dez anos ausente dos palcos paraibanos, a Orquestra de Violões reestreou em novembro de 2007, no Cine Bangüê do Espaço Cultural. A partir desse dia, o grupo iniciou uma nova fase, continuando a fomentar a prática orquestral na área violonística e a estimular o desenvolvimento musical de indivíduos, a partir de um repertório eclético que favoreça uma prática interpretativa ampla e diversificada.

No segundo semestre de 2008, a orquestra começou a gravar seu quarto CD intitulado ‘Orquestra de Violões Interpretando a Paraíba’, com lançamento previsto para fevereiro de 2009. Outra novidade em destaque é que a Orquestra de Violões, sob regência de Carla Santos, assistência de Cyran Costa e direção musical de Rogério Borges, realizou uma série de programas em parceria com a Rádio Tabajara FM, apresentado todas as últimas sextas-feiras, durante os três primeiros meses deste ano.

Convidados – A Orquestra de Violões também conta com os músicos convidados Maria Juliana e Amanda Rafaela (vocal), Lucyane Pereira (acordeon), Thallyana Barbosa (flauta), Jeronimo Pedro Florentino (violão Sete Cordas) e Wagner Santana (percussão).

No repertório do show, composições como ‘Ponteio’, de Edu Lobo; ‘No forró de Zé Doidiça’, de Rogério Borges; ‘Melodia sentimental’, de Heitor Villa Lobos; ‘Sete cantigas para voar’, de Vital Farias; ‘Duas margens’ de Chico César e Lúcio Lins; ‘Eu, tu e ele’, de José Ilton Nunes; ‘Carinhoso’, de Pixinguinha; ‘Pedacinhos do céu nº 5′, de Waldir Azevedo; ‘Frevo dos oito erros’, de Cyran Costa; ‘Eleanor Rigby’, dos Beatles; ‘Asa branca e Assum preto’, de Luiz Gonzaga; ‘Carcará II’, de Erivan Araújo; ‘Feira de mangaio’, de Sivuca e Glorinha Gadelha; ‘Ai que saudade d’ocê, de Vital Farias; ‘Aquarela do Brasil, de Ari Barroso, e ‘Meu sublime torrão’, de Genival Macedo.

Aguaúna – O grupo ‘Aguaúna’, formado pelos músicos Pedro Osmar, Ricardo Venerito, Fábio Negroni e Soraia Bandeira, começou sua trajetória no início de 2008, a partir de encontros de livre improvisação, utilizando instrumentos musicais de diversos lugares do mundo como a cítara indiana; o didjeridoo aborígene australiano; a dalimba, o djembé e o dorá africanos; a viola caipira; o baixo fretless; o xilofone; o metalofone e vozes nativas.

O propósito do grupo é resgatar a linguagem da espontaneidade na criação artística, utilizando o conceito da visualização de cenários míticos – método usado na criação dos ragas indianos. Desses encontros surge, partindo da ‘criação coletiva’, o repertório que o grupo apresenta em seus recitais.

Agaúna mantém um laboratório de experimentação em seu local de ensaios para testar o limite e o alcance da estética da música de livre improvisação, considerando sempre a participação e as influências de músicos convidados no resultado final de cada apresentação.

O repertório a ser apresentado pelo grupo inclui ‘Raga Yaman’ (domínio público/ Índia); ‘Aguaúna’ (Pedro Osmar, Fábio Negroni, Ricardo Venerito); ‘Equilibrista’ (Pedro Osmar); ‘Kali em bando’ (Pedro Osmar, Fábio Negroni, Ricardo Venerito); ‘Ode às trevas’ (Fábio Negroni/Zé Manoel); ‘A um boi’ (Pedro Osmar, Fábio Negroni, Ricardo Venerito, Soraia Bandeira); ‘Carne acesa’ (Soraia Bandeira); ‘Xilidéia’ (Pedro Osmar, Fábio Negroni, Ricardo Venerito); ‘Cangerê’ (Fábio Negroni); ‘Isto não é um frevo’ (Pedro Osmar); ‘Aguablues’ (Pedro Osmar, Fábio Negroni, Ricardo Venerito, Soraia Bandeira).

“Somos um grupo em busca de pessoas que tenham interesse de produzir esse nosso trabalho em qualquer parte do Brasil e do mundo. Somos quatro músicos que tocam, cantam, compõem e produzem idéias e conhecimento no contexto da música brasileira e da música mundial, para reforço de uma música de livre improvisação que existe entre músicos e para pessoas que gostam de música instrumental”, explica Pedro Osmar, um dos músicos da banda.

O artista ressalta ainda a ousadia e amplitude do projeto. “Certamente é uma música de resistência, uma música que não toca no rádio e raramente aparece na TV, mas que, como profissionais, ousamos realizar, para nosso prazer e gosto e alegria de criar a partir de elementos da música e dos instrumentos de países nativos, a exemplo da Índia, África, Austrália e Nordeste brasileiro”.

 

Confira a programação completa:

Sexta-feira (26)

Orquestra de Violões

Banda Aguaúna

 

Sábado (27)

Banda 5 de Agosto

Léo Meira

 

Domingo (28 )

Paraibass

Grupo Uirapuru

Vinicius Lucena

 

Segunda-feira (29 )

Grupo de Percussão do Nordeste

Grupo Oitavando

 

Terça-feira (30 )

Camerata Arte Mulher

Grupo Tarancon

Réveillon – Quarta-feira (31), às 22h – Palco instalado no Busto de Tamandaré

Moraes Moreira, DJ Guirraiz e Orquestra Sanhauá

Estação Nordeste 2009

Praia de Tambaú

Sábado (3)

Gabriel Pensador

Afronordestinas

Sábado (17)

Edson Gomes

Gun Jah

Sábado (24)

Beto Brito

Capim Cubano

Sábado (31 )

Detonautas

Poetas do Absurdo

 

Centro Histórico

Sexta-feira (9)

Cátia de França

Escurinho

Soraia Bandeira

Sexta-feira (16)

Blues Etílicos

Zé Viola e Progressive Band

 

Sexta-feira (23)

Beatles Abbey Road

Unidade Móvel

Sexta-feira (30 )

Sá, Rodrix e Guarabira

Gláucia Lima

 

Circuito das Praças

Domingo (4 ) – Praça do Caju – Bessa

Jackson Envenenado

SDS

Domingo (11) – Praça do Coqueiral – Mangabeira

Paulo e Baby

Odecasa

Quinta-feira (15) – Praça da Paz – Bancários

Chouriço

Arapuca

Domingo (18 ) – Praça Lauro Wanderley – Funcionários I

Pé de Côco

Jocca Jr.

Quinta-feira (22) – Praça Alcides Carneiro – Manaíra

Mobiê

Ítalo Pay e Zabumba Mundi

 

Quinta-feira (29) – Praça Bela – Funcionários II

The Silvias

Lírios do Gueto

Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes (sempre às 17h)

Domingo (4)

Adeildo Vieira

Domingo (11)

Mira Maya

Domingo (18 )

Divina Comédia Humana

Domingo (25)

Zé Guilherme

Candomblé: A família africana no Brasil

Publicado por: Pablo em: Dezembro 22, 2008

Logo após o achamento do Brasil em 1500, os lusos trouxeram para essas terras, negros provenientes de varias regiões da África, por meio de navios negreiros, ou melhor, tumbeiros como eram também conhecidos. Esses negros não vinham em pequenas quantidades.

Populações inteiras foram trazidas e quando chegavam aos portos brasileiros, os negros eram forçados a trocar seus nomes, ser batizados na religião católica e logo em seguida eram misturados por etnias para dificultar a resistência.

Depois de todas essas tentativas de aculturação, eram vendidos como escravos para os mais variados serviços. O mais comum era a lavoura de cana-de-açúcar, típica dos primeiros momentos da colonização. Com a crise dos preços do açúcar brasileiro, que terminou por levar os preços do açúcar a caírem devido à concorrência por parte das Antilhas Holandesas, os cativos foram gradativamente sendo vendidos para outras atividades como a extração de minérios e logo após para o plantio do café.

Lá na África, essas pessoas tinham suas crenças em seus deuses, cada cidade africana tinha um Orixá zelador, a cidade de Oió, no atual Guiné-Bissau, por exemplo, tinha o Xangô que a protegia. Já em Ire, Ogum era venerado como o deus do ferro e da guerra. Quando essas populações chegaram ao Brasil e foram separados de seus familiares e mesclados com outros povos, os seus Orixás também foram misturados.

De princípio, os cultos aos orixás eram realizados individualmente: cada pessoa invocava o seu. Já, com o passar do tempo, esses cultos outrora individuais passaram a se tornar coletivos, e ao invés de se cultuar um só Orixá, agora se passa a se reverenciar a todos as entidades representados naquele local.

Como os entes foram separados, quase todos os indivíduos não tinham laços de parentesco. Ou seja, a família foi desmantelada pela conjuntura escravista. No entanto, o africano, como um individuo que resistiu bravamente a escravidão, passa a reinventar a sua família africana no Brasil. Seu chefe religioso passa a ser seu pai em Santo e a líder espiritual se torna a sua mãe em Santo, todos os iniciados na Religião dos Orixás são seus irmãos em santo e assim estava formada a família negra em terras brasileiras.

Os pais ou as mães de santo, ou melhor, os babalorixás e as yalorixás respectivamente citado no dialeto yorubano, exercem autoridade sobre seus filhos, pois existe uma relação de poder semelhante à de uma família convencional que conhecemos. Em cada terreiro, essa família vivia (e ainda vive) suas memórias da grande mãe África e suas tradições são reelaboradas a partir das experiências vividas e com o contato com as outras culturas. Aliás, o fato de se associarem entidades da religião católica aos Orixás é uma prática de resistência cultural que visava a ludibriar a fiscalização e repressão por parte da Igreja.

Apropriar-se de elementos de outras culturas é uma característica peculiar dos povos africanos, de modo a somar a sua cultura com aquelas a que têm contato. Assim estava construído o Candomblé: a família africana no Brasil. Religião essa, que nossos antepassados sabiamente construíram e ainda hoje é fortemente cultuada em todo o Território.

(Artigo escrito por Felipe Agenor de Oliveira Cantalice, graduando pela UEPB – Guarabira).

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“O candomblé ainda é a voz que faz o negro se juntar/Pra ser feliz ainda não dá/ enquanto um negro, um só negro, um só chorar”. (Naná Vasconcelos).

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Música de terreiro?

Aqui tem: http://www.4shared.com/dir/955083/f7c0647f/sharing.html

No caminho do mercadinho.

Publicado por: Pablo em: Dezembro 17, 2008

No caminho do mercadinho, mais uma cena hilária com a dona Marocas, que está devendo trinta anos à cova, mas ainda tem algum dinheiro no banco. Aliás, dinheiro esse que terminou lhe rendendo um prestígio ímpar no culto religioso a que freqüenta e um fogoso namorado quarenta anos mais novo. A cena hilária, contudo, não foi na reza nem no amasso. Foi com seu amarelo e simpático vira-lata, que depois de anos de uma religiosa e casta obediência, decidiu reivindicar seus direitos à lubricidade.

- Agora você quer entrar, né? Hein? Hein?

            Pra que aquela insistência no “hein”? Ela queria o quê? Que ele respondesse? Quero entrar sim, dona Marocas. Aproveite e, quando vier, traga um bocado daquele bife velho e oleoso que a senhora fritou no almoço e que, se tivermos sorte, vai cumprir a funesta missão de entupir nossas veias mais ligeiro do que nós pensamos. A senhora não tá vendo que tá arriscando chover, não? Abra logo essa porta que eu estou mijando-me.

            - Você foi fazer o quê no meio da rua? Eu não disse pra você não ir?

Aquela velha era mesmo uma metida. Eu falo alguma coisa quando aquele motoqueiro fedorento aparece e leva a senhora na garupa, por acaso? Se eu fui passear foi porque eu quis, varei. Pra sua informação, eu estava ali na esquina, conquistando corações. Agora vai ser assim, minha cara. Se eu quiser sair de novo, a senhora vai me desculpar, mas eu vou sair e em todo o planeta Terra não tem carrocinha ou cidadão que me segure dentro de casa. Eu tou me mijando, mulher. Abra essa bexiga dessa porta! Eu vou fazer aqui no terraço mesmo, viu? Depois que a catinga ficar pegada no tapete não vá botar a culpa pras visitas na minha “incontinência urinária”.

- Você devia dar mais valor ao que tem…

Ao que eu tenho? Metida e desorientada. Depois que o motoboy apareceu, adeus vida boa. Vou mijar, viu? Já tá avisada. E também não sei pra que tanta cerimônia… Ela é uma cachorrinha decente, de família. Fiel que só vendo. Tem outra coisa. A senhora não pense que eu já me recuperei daquela concupiscência que eu vi vocês dois fazendo no escuro da noite, lá no quintal de casa não, viu? A senhora!… Nessa idade!… Essa casa parece que virou Sodoma e Gomorra. Em tempo de passar alguém da igreja e pegar a sem-vergonhice de vocês no flagra… Nã. Dê-se ao respeito… O orelhudo que vai todo dia pro mercadinho comprar biscoito já notou, viu? Se eu fosse ele, ligava pra polícia…

- Nessa casa você tem de tudo, cachorro inconseqüente…

De tudo? Metida, desorientada e ainda por cima doida. De tudo não, que aqui eu não tenho uma namorada…. Tou mijando, viu? A senhora demorou pra abrir a porta…

Dialogar com ela não era mesmo uma alternativa nunca, porque ela não entendia nada. Parecia que estava gagá. Será que era isso mesmo? Devia ser. Gagá da silva. Dona Marocas Gagá da Silva, a loucura em pessoa.

- Qualquer dia eu resolvo dar um fim em você e aí você vai ver quem é a verdadeira dona Marocas, seu ingrato.

O cachorro olhou para a dona Marocas com a nobreza de um conde. Ele sabia que ela ameaçava, ameaçava, mas tinha o coração mole. No entanto, aquilo estava muito errado. A dona Marocas pode namorar, todo mundo pode namorar, menos o pobre do cachorro? Por quê? Ele era jovem. Só porque ele é um cachorro não pode namorar? Ah, não. Isso ia mudar dali pra frente.

- Na próxima vez que você mijar no terraço, você apanha, tá ouvindo?

Vai te catar, dona Marocas. Cadê o bife?

Sento na bicicleta.

Publicado por: Pablo em: Dezembro 17, 2008

            Sento na bicicleta, reparo algumas coisas. A academia tem uma etiqueta social própria. Você espera ela passar. Tá entendendo? Se precisar, dá um boa noite, pra ela pensar que você tem educação. Ela não precisa responder, nem está ali pra isso. O boa noite não faz parte da etiqueta. Se ela responder, ótimo, mas o importante vem depois. Quando ela passa… As academias são dádivas do Senhor. Mas também têm os seus esconjuros, ou você acha que Deus é besta pra conceder alguma graça assim, de graça? Na academia, você pode olhar pra bunda dela, sem problema, afinal aquilo é uma academia, e pra isso sim é que ela está ali. Mas se quiser olhar, tem que ser pelo espelho, camarada, que nem ela nem o próximo percebem, entendeu? Na academia, pra cobiçar a mulher do próximo, tem que ser pelo espelho ou verás o furor da ira do próximo. Aliás, toda academia que se preze tem que ter espelhos suficientes pra garantir que você não vai perder nenhum ângulo, nem se machucar por causa de luxúria. Um magrinho novato desavisado, outro dia, foi seduzido e não esperou ela passar pra contemplar os seus glúteos torneados e curvilíneos. Essa “ela” não tinha um “ele” a vigiar a vigilância masculina da academia. O magrinho não apanhou, mas o resultado não podia ser mais trágico. A partir de então, todo santo dia, por cautela, ela passou a levar uma toalhinha maldita que lhe cobria as nádegas e durante meses, acabou com a alegria de toda a academia. Por isso é que as pessoas precisam respeitar os preceitos de direito consuetudinário. Por isso é que as regras da etiqueta são tão importantes e não podem ser descumpridas nunca. Que trabalho que me deu roubar aquela toalha!