Eu e o Galo. Novembro 25, 2007
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Eu e o Galo é um poema em homenagem ao Jaguaribe Carne, grupo de música e outras coisas mais. Pra mim, o mais importante de todos os grupos que já despontaram na realidade cultural paraibana, nos últimos tempos. O galo – pelo menos pra mim, não sei pra você que está lendo – é o povo – público – platéia, que acorda cedo pra trabalhar e espera que a arte provenha do artista. E o eu-lírico é o artista que se dispõe a fazer do povo artista e dizer que o palco é que é o lugar do povo, reverterando todos os conceitos de arte, artista e público.
Quando você escuta o “Lá vem a barca/ trazer pro povo/ a liberdade/ que se conquista” e vê a galera subindo no palco, ao fim do show, como quem diz: “que onda é essa de artista no palco e platéia nas cadeiras?”, é que se percebe a grandeza da construção que se vem propondo ao cenário artístico paraibano desde a década de 70, em termos de universalização e agrupamento, com o Musiclube, com o Movimento dos Escritores Independentes, com o Projeto Fala Bairros, com o Jaguaribe Carne, com a Guerrilha Cultural.
Pedro Osmar é uma das poucas (poucas!) almas altissimamente iluminadas que já apareceram na Paraíba. Um cara de uma dedicação sem tamanho à militância política, e à resistência cultural. Aí quando você chega no show dele e o vê com uma das suas 500 camisas “fora Bush”, tudo se encaixa e o som que ele faz já não parece mais tão louco, apesar do fato de a bola de gude na tampa de caçarola virar instrumento musical e, tendo em vista o modo como ele se dispõe a explorar as sonoridades de um piano, por vezes esquecendo suas teclas…
Ontem (24/11/07) no show “Farinha Digital”, PEDRO OSMAR e LOOP B fizeram o encerramento do Encontro Nordestino de Percussionistas, no Cine Bangüê do Espaço Cultural. Foi mais um daqueles shows inesquecíveis do artesão da resistência [1]. Um espetáculo instrumental, ímpar em termos de criatividade, experimentalismo e improvisação, digno de merecidas reverências. Show este que, há que se lembrar, não cabe no ouvido de todos, o que explica o pequeno – porém seleto – público presente para admirar tamanha música: músicos, cineastas, poetas, militantes de direitos humanos, universitários, atores, dançarinos… Confirmando o que Pedro Osmar sempre percebeu e vem defendendo: a platéia é artística por natureza.
Tendo no currículo loucuras plenas como a idéia de bolar um LP feito com encartes criados por mais de 300 artistas plásticos locais, deixando seu recado averso à uniformização característica da cultura de massa, a música do Jaguaribe Carne ousou buscar a junção da música folclórica brasileira às realidades musicais da world music, jazz, música experimental, aleatória, minimalista e dodecafônica, além da clara influência ideológica exercida pelo movimento punk (saca a capa do Vem no Vento?). Uns “fios desencapados do bairro de Jaguaribe”, na antonomásia de Totonho.
Boas lembranças que me trazem aqueles tempos do Ateliê Casa Velha, em que aquele já coroa, barrigudo e barbudo – às vezes com rasta na barba -, sentado na cadeira de balanço, falava de terrorismo e de arte. E ensinava a um grupo de adolescentes interessados em música não convencional a como ser terrorista fazendo arte (porque naquela idade, ser terrorista era massa demais!): arte-educação! Arte-sabotagem![2]
Uma placa de trânsito “siga ou vire à esquerda”, um tanque de gasolina, c/ pedal de efeitos e uma furadeira. Uma viola tocada rompendo todo e qualquer tradicionalismo da afinação Paraguaçu (quem se preocupa com escalas tonais?). Estes foram Pedro Osmar e Loop B.
Pablo.
[1]
Artesão da Resistência: o título criado pelo poeta Chico Berg para tratar do músico Pedro Osmar. Faz menção a sua trajetória político-anarquista. O poema Artesão da resistência foi musicado pelo grupo Mulambo Acústico.
[2] Aqueles adolescentes: nós, Mulambo Acústico.
1. CD VIOLA CAIPIRA: http://rapidshare.com/files/71138807/-_Pedro_Osmar_-_Viola_Caipira__1997_.zip (créditos: http://poeiraecantos.blogspot.com/)
2. CD VEM NO VENTO:
http://rapidshare.com/files/208470214/Jaguaribe_Carne_Vem_no_vento.rar.html
3. SITE DO JAGUARIBE CARNE: http://www.jaguaribecarne.kit.net/
4. Curta-metragem JAGUARIBE CARNE: ALIMENTO DA GUERRILHA CULTURAL. http://gratis.download-de-videos.com/video/gzkvVHPKlSg/jaguaribe-carne-alimento-da-guerrilha-cultural-trailer.html
Eu digo: Pobre galo!
Pedro Osmar é um Átila às avessas: por onde passa, a grama nasce farta. E o que não falta é carrapicho. Um abraço nele e em vocês. Ronaldo Monte.
Nada mais justo do que considerar Pedro Osmar e sua luta contra a midiocisação das artes uma das “poucas almas iluminadas” que surgiram na Paraíba. Pedro (e seu Jaguaribe Carne) merecem todo nosso respeito e admiração. E mais investimentos (financeiros) a um melhor desenvolvimento de seus revolucionários projetos. Quem se habilitará? Grandes abraços.
Correção: a plavra correta é midiocrisação, que rima com mediocrisação (naturalmente relacionadas as destruições provocadas pela força da mídia medíocre).
Rapaz, não é que esse blog tá ficando com moral mesmo? Olha o naipe de quem tá comentando por aqui, bicho… Só a nata da cultura paraibana.
Fuçando a internet, olha só o que eu encontrei:
Do poeta Ronaldo Monte, que, inclusive, escreveu um livro-poema com o próprio Pedro Osmar, de nome “World Trade Center” (eu tava lá no dia do lançamento):
http://www.blog-do-rona.blogspot.com/
Do artista plástico, músico, filósofo e outras coisas mais Archidy Picado Filho:
http://archidypicadofilho.blogspot.com/
Voltem sempre…