Guerra Santa Agosto 21, 2008
Posted by Pablo in Crônica.trackback
Guerra Santa
Ronaldo Monte
As coisas caminhavam assim, quando um fato novo quebrou a monotonia da desavença. O poster da Mulher Melancia. Era gritante demais, volumoso demais, pecaminoso demais para ser tolerado por aquelas ovelhas prontas para ruminar nos pastos divinos. Depois do culto da noite, o assunto foi discutido a portas fechadas. Na manhã seguinte, decidiu-se, o pastor iria falar com o dono da borracharia. Ele mesmo se comprometeu a avaliar o teor pecaminoso do cartaz e exigir sua retirada da parede.
Não adiantou nada. O borracheiro estava irredutível. A borracharia é minha, o poster é meu. Quem não quiser olhar, vire a cara ou feche os olhos. Acho que as irmãs sentem inveja da melancia da moça. E o senhor precisa ver o tanto de crente que deixa para atravessar a rua aqui em frente da borracharia. O senhor me desculpe, pastor, mas eu tenho mais o que fazer. Depois da Mulher Melancia, aumentou muito o movimento por aqui.
A indignação tomou conta do rebanho. Se a missão de paz não obteve resultado, o borracheiro ia ver o quanto podia a ira do Senhor manifestada em seus servos. No outro dia de manhã, toda a congregação estava presente, excitada pela voz estridente do pastor, pronta para invadir a borracharia e expulsar de lá o demônio dos fartos glúteos.
Convocados pelo celular, borracheiros de toda a vizinhança acudiram em defesa do colega ameaçado. Os ânimos se exaltaram. A ocasiões como esta não se ajusta melhor expressão. Definitivamente, os ânimos se exaltaram. Igreja, ataque a borracharia, bradou o pastor. Em resposta, ouviu-se o grito roufenho do inimigo: borracharia, enfrente a igreja.
Os irmãos não tiveram tempo de dar um passo. O borracheiro arrancou o poster da parede, mostrou fervorosamente o seu conteúdo aos valorosos companheiros e avançou com aquela bunda enorme lhe cobrindo o peito em direção ao exército inimigo. Atrás dele, tomados pelo espírito de Thor, armados com seus martelos de borracha maciça, os homens gritavam seu grito de guerra: Créu – Créu – Créu.
A massa de fiéis abriu-se como o Mar Vermelho. Créu – Créu – Créu, avançava o exército igreja adentro. Aleluia, Aleluia, gritavam os irmãos, alucinados pelas formas excessivas da mulher que ondulava ao sabor dos passos do borracheiro. Créu – Aleluia – Créu – Aleluia, gritavam as irmãs, muitas já sem as longas saias, comparando suas bundas com a da mulher do cartaz, fazendo bruscos movimentos de ir e vir com a pélvis, numa cópula frenética com o nada.
Em nome de Deus, tire este demônio daqui. Atirou-se o pastor aos pés do borracheiro. O homem enrolou cuidadosamente o pôster e ordenou a seus comandados: borracharia, abandonar a igreja. Saíram em silêncio, mas sem esconder um ar triunfante. Atrás deles, os irmãos tentavam cobrir as vergonhas de suas mulheres que acordavam do transe ainda aos estertores.
No culto seguinte, o pastor teve trabalho para botar pra dentro da igreja os homens e mulheres que vagavam em frente da borracharia.
A indignação tomou conta do rebanho. Se a missão de paz não obteve resultado, o borracheiro ia ver o quanto podia a ira do Senhor manifestada em seus servos. No outro dia de manhã, toda a congregação estava presente, excitada pela voz estridente do pastor, pronta para invadir a borracharia e expulsar de lá o demônio dos fartos glúteos.
Convocados pelo celular, borracheiros de toda a vizinhança acudiram em defesa do colega ameaçado. Os ânimos se exaltaram. A ocasiões como esta não se ajusta melhor expressão. Definitivamente, os ânimos se exaltaram. Igreja, ataque a borracharia, bradou o pastor. Em resposta, ouviu-se o grito roufenho do inimigo: borracharia, enfrente a igreja.
Os irmãos não tiveram tempo de dar um passo. O borracheiro arrancou o poster da parede, mostrou fervorosamente o seu conteúdo aos valorosos companheiros e avançou com aquela bunda enorme lhe cobrindo o peito em direção ao exército inimigo. Atrás dele, tomados pelo espírito de Thor, armados com seus martelos de borracha maciça, os homens gritavam seu grito de guerra: Créu – Créu – Créu.
A massa de fiéis abriu-se como o Mar Vermelho. Créu – Créu – Créu, avançava o exército igreja adentro. Aleluia, Aleluia, gritavam os irmãos, alucinados pelas formas excessivas da mulher que ondulava ao sabor dos passos do borracheiro. Créu – Aleluia – Créu – Aleluia, gritavam as irmãs, muitas já sem as longas saias, comparando suas bundas com a da mulher do cartaz, fazendo bruscos movimentos de ir e vir com a pélvis, numa cópula frenética com o nada.
Em nome de Deus, tire este demônio daqui. Atirou-se o pastor aos pés do borracheiro. O homem enrolou cuidadosamente o pôster e ordenou a seus comandados: borracharia, abandonar a igreja. Saíram em silêncio, mas sem esconder um ar triunfante. Atrás deles, os irmãos tentavam cobrir as vergonhas de suas mulheres que acordavam do transe ainda aos estertores.
No culto seguinte, o pastor teve trabalho para botar pra dentro da igreja os homens e mulheres que vagavam em frente da borracharia.
(texto postado em http://blog-do-rona.blogspot.com/. Autor: Ronaldo Monte).
excelente!
Caralho Pablo!
Eu sei que é tarde, mas esse texto eu gostei tanto que tenho que comentar!
Abração!
Ronaldo Monte só tem texto bom, pow…