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Candomblé: A família africana no Brasil dezembro 22, 2008

Posted by Pablo in Artigo.
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Logo após o achamento do Brasil em 1500, os lusos trouxeram para essas terras, negros provenientes de varias regiões da África, por meio de navios negreiros, ou melhor, tumbeiros como eram também conhecidos. Esses negros não vinham em pequenas quantidades.

Populações inteiras foram trazidas e quando chegavam aos portos brasileiros, os negros eram forçados a trocar seus nomes, ser batizados na religião católica e logo em seguida eram misturados por etnias para dificultar a resistência.

Depois de todas essas tentativas de aculturação, eram vendidos como escravos para os mais variados serviços. O mais comum era a lavoura de cana-de-açúcar, típica dos primeiros momentos da colonização. Com a crise dos preços do açúcar brasileiro, que terminou por levar os preços do açúcar a caírem devido à concorrência por parte das Antilhas Holandesas, os cativos foram gradativamente sendo vendidos para outras atividades como a extração de minérios e logo após para o plantio do café.

Lá na África, essas pessoas tinham suas crenças em seus deuses, cada cidade africana tinha um Orixá zelador, a cidade de Oió, no atual Guiné-Bissau, por exemplo, tinha o Xangô que a protegia. Já em Ire, Ogum era venerado como o deus do ferro e da guerra. Quando essas populações chegaram ao Brasil e foram separados de seus familiares e mesclados com outros povos, os seus Orixás também foram misturados.

De princípio, os cultos aos orixás eram realizados individualmente: cada pessoa invocava o seu. Já, com o passar do tempo, esses cultos outrora individuais passaram a se tornar coletivos, e ao invés de se cultuar um só Orixá, agora se passa a se reverenciar a todos as entidades representados naquele local.

Como os entes foram separados, quase todos os indivíduos não tinham laços de parentesco. Ou seja, a família foi desmantelada pela conjuntura escravista. No entanto, o africano, como um individuo que resistiu bravamente a escravidão, passa a reinventar a sua família africana no Brasil. Seu chefe religioso passa a ser seu pai em Santo e a líder espiritual se torna a sua mãe em Santo, todos os iniciados na Religião dos Orixás são seus irmãos em santo e assim estava formada a família negra em terras brasileiras.

Os pais ou as mães de santo, ou melhor, os babalorixás e as yalorixás respectivamente citado no dialeto yorubano, exercem autoridade sobre seus filhos, pois existe uma relação de poder semelhante à de uma família convencional que conhecemos. Em cada terreiro, essa família vivia (e ainda vive) suas memórias da grande mãe África e suas tradições são reelaboradas a partir das experiências vividas e com o contato com as outras culturas. Aliás, o fato de se associarem entidades da religião católica aos Orixás é uma prática de resistência cultural que visava a ludibriar a fiscalização e repressão por parte da Igreja.

Apropriar-se de elementos de outras culturas é uma característica peculiar dos povos africanos, de modo a somar a sua cultura com aquelas a que têm contato. Assim estava construído o Candomblé: a família africana no Brasil. Religião essa, que nossos antepassados sabiamente construíram e ainda hoje é fortemente cultuada em todo o Território.

(Artigo escrito por Felipe Agenor de Oliveira Cantalice, graduando pela UEPB – Guarabira).

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“O candomblé ainda é a voz que faz o negro se juntar/Pra ser feliz ainda não dá/ enquanto um negro, um só negro, um só chorar”. (Naná Vasconcelos).

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Música de terreiro?

Aqui tem: http://www.4shared.com/dir/955083/f7c0647f/sharing.html

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Comentários»

1. Felipe - dezembro 25, 2008

Olha eu aquiii!!! kkk


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