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	<title>Comentários sobre: A Noite da Beleza Negra &#8211; 19/06/09</title>
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	<description>Pablo - violonista do grupo Mulambo Acústico. Advogado, especializado em Direitos Culturais</description>
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		<title>Por: Pablo</title>
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		<dc:creator>Pablo</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Sep 2009 23:45:56 +0000</pubDate>
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		<description>É válida a classificação dos homens em etnias? A resposta, é claro, é que não. O homem não é cachorro, pra ter raça. Mas quem foi que inventou essa distinção e tratou como cachorros os negros durante dolorosos 500 anos de Brasil? E agora, como negar a existência de uma negritude, com base numa suposta semelhança que aglutinaria a todos, se a realidade de desemprego, racismo e submissão atestam exatamente o contrário? Mas nós não somos iguais, brancos e negros? Então por que é maior o número de mulheres negras forçadas a se submeter à prostituição, e cada vez mais cedo - como bem atestam as pesquisas oficiais?

A propósito, em que circunstâncias o negro, no contexto histórico e social brasileiros, se viu inserido nos nossos 500 anos de país? 

Outra pergunta boa: faz sentido defender os direitos humanos, nos tempos de hoje? Não é mais fácil reproduzir o já dito e aderir ao discurso do &quot;bandido bom é bandido morto&quot;? 

Lembrando que a etnia negra é disparadamente a camada mais afetada pela violência institucional, policial e prisional, não resta qualquer sombra de dúvida de que a defesa dos direitos humanos termina por coincidir com a defesa dos negros, que são as vítimas tradicionais das suas violações. 

Cadeia. Nesse cruel depósito humano, de maioria negra, tudo é negado: assistência jurídica e de saúde, programas educativos, mas mais que isso, até mesmo espaço físico, luz, alimentação, ar.

Apesar disso, o estereótipo em que têm investido os aparelhos midiáticos oficiais para divulgar a repressão como instrumento de controle tem sido o de identificação da defesa dos direitos humanos com a mera tolerância à bandidagem. E ao que me parece - pasmem! - têm convencido esquerdas e direitas de que o único remédio possível para a contenção da criminalidade é investir em mais prisões, mais polícia e endurecer a repressão, se possível com aplicação da pena de morte e a redução da maioridade penal.

Aventurar-se a defender distribuição da renda, alimentação, educação, saúde como políticas de segurança pública parece uma barbaridade... Mas eu não acho que é... Acho que é propor ao mundo uma realidade inclusiva e - quem sabe? - menos racista...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>É válida a classificação dos homens em etnias? A resposta, é claro, é que não. O homem não é cachorro, pra ter raça. Mas quem foi que inventou essa distinção e tratou como cachorros os negros durante dolorosos 500 anos de Brasil? E agora, como negar a existência de uma negritude, com base numa suposta semelhança que aglutinaria a todos, se a realidade de desemprego, racismo e submissão atestam exatamente o contrário? Mas nós não somos iguais, brancos e negros? Então por que é maior o número de mulheres negras forçadas a se submeter à prostituição, e cada vez mais cedo &#8211; como bem atestam as pesquisas oficiais?</p>
<p>A propósito, em que circunstâncias o negro, no contexto histórico e social brasileiros, se viu inserido nos nossos 500 anos de país? </p>
<p>Outra pergunta boa: faz sentido defender os direitos humanos, nos tempos de hoje? Não é mais fácil reproduzir o já dito e aderir ao discurso do &#8220;bandido bom é bandido morto&#8221;? </p>
<p>Lembrando que a etnia negra é disparadamente a camada mais afetada pela violência institucional, policial e prisional, não resta qualquer sombra de dúvida de que a defesa dos direitos humanos termina por coincidir com a defesa dos negros, que são as vítimas tradicionais das suas violações. </p>
<p>Cadeia. Nesse cruel depósito humano, de maioria negra, tudo é negado: assistência jurídica e de saúde, programas educativos, mas mais que isso, até mesmo espaço físico, luz, alimentação, ar.</p>
<p>Apesar disso, o estereótipo em que têm investido os aparelhos midiáticos oficiais para divulgar a repressão como instrumento de controle tem sido o de identificação da defesa dos direitos humanos com a mera tolerância à bandidagem. E ao que me parece &#8211; pasmem! &#8211; têm convencido esquerdas e direitas de que o único remédio possível para a contenção da criminalidade é investir em mais prisões, mais polícia e endurecer a repressão, se possível com aplicação da pena de morte e a redução da maioridade penal.</p>
<p>Aventurar-se a defender distribuição da renda, alimentação, educação, saúde como políticas de segurança pública parece uma barbaridade&#8230; Mas eu não acho que é&#8230; Acho que é propor ao mundo uma realidade inclusiva e &#8211; quem sabe? &#8211; menos racista&#8230;</p>
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