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CARTA DE ABERTURA: O PROJETO DO PROJÉTIL Novembro 19, 2007

Posted by Pablo in CARTA DE ABERTURA, Crítica.
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COMENTÁRIOS CRÍTICOS À  CULTURA PARAIBANA 

Este é um blog de debate artístico. A idéia é promover discussões acerca da música, poesia, cinema, teatro, artes plásticas, etc. que vêm sendo feitos na Paraíba e tudo o mais que interesse à crítica cultural paraibana, além de incentivar o intercâmbio das tantas manifestações culturais locais.

Este espaço se destina ainda ao debate político, por parte da comunidade artística local – que seja bem-vinda a opinar – mas, mais que isso, trata-se de um lugar para que se possa discutir a arte, em toda sua amplitude, inclusive por indivíduos que não fazem arte (se bem que, na realidade, quem é que não faz arte?).

Aqui, confetes e pedradas são igualmente bem-vindos, desde que não se trate de puxa-saquismo ou perseguição sem pé nem cabeça. O que queremos é proporcionar o debate, não o conflito de egos.

Além disso, nossa proposta se destina à formação e à informação cultural. Isso significa que buscaremos trazer à discussão o que esteja acontecendo no momento cultural. Ao longo do tempo, postaremos dicas acerca de projetos, eventos culturais, fundos de incentivos, debates acerca de questões jurídicas interessantes ao movimento cultural, etc. Interessados em divulgar notícias, fazer denúncias, apresentar sugestões sintam-se à vontade, pois este espaço é para isso mesmo.

Tratando-se de um espaço democrático, serão permitidas todas as formas de crítica (inclusive as esculhambantes), desde que não ofendam os limites da razoabilidade e da decência nem coloquem a mãe no meio. Lembro que é garantido pela Constituição Federal  o direito à expressão do pensamento, sendo vedado o anonimato, estando o autor responsável integralmente por suas palavras.

Sempre que possível, disponibilizaremos também material fonográfico que esteja à nossa disposição, dado o caráter educativo a que se propõe esta iniciativa. Não hesitamos em ressaltar a legalidade e constitucionalidade plena de tal conduta, uma vez que o direito à propriedade autoral e das gravadoras não se sobrepõe, de modo algum, ao direito da coletividade ao acesso e à democratização da cultura. Sem contar que toda e qualquer construção intelectual é derivada de um processo em que o conhecimento da coletividade tem importante participação e não pode dele ser excluída.

Acrescente-se a inexistência total de propósitos lucrativos por parte dos autores desta iniciativa, cujo foco central se destina à formação de um público crítico em favor da educação cultural do povo brasileiro e, em especial, paraibano, tão alheio que ainda é de tema tão importante quanto a cultura.

Bem sabemos, entretanto, dos percalços e atropelos de artistas que vivem à sombra de esmolas de entidades estatais e privadas. Assim, recomendamos que sempre que possível, seja adquirido o CD original, cuja arte possui muito mais valor participativo no processo cultural que o mero download, em estando dentro de suas possibilidades financeiras. Em não estando, baixa o CD aí, sem remorso. [Não se preocupem, grandes gravadoras. Não vamos quebrar (ainda) a economia por causa disso. Mas fiquem cientes de que o Direito está do nosso lado].

A verdade é que nós, cultura paraibana, temos problemas sérios – e os principais atendem pelo nome de governantes. Estes, verdadeiramente, - e isso não é pitaco externo, mas uma constatação histórica de alguém que faz cultura já há alguns anos - nunca foram nossos parceiros.

Muito pelo contrário, ao menos cá na Paraíba, as autoridades – culturais, inclusive – sempre agiram no sentido de cooptar adeptos a esta ou àquela vertente político-partidária coronelista, abandonando ao léu da própria sorte os artistas que se atreveram a resistir à imposição de uma aproximação forçada. E claro que o abandono das instituições públicas não é casual. O fato é que cultura rima com conscientização, o que é sempre um problema pra quem precisa de voto de quatro em quatro anos.

Apesar disso, heroicamente, resistimos.