Mulambo Acústico Setembro 1, 2009
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MULAMBO ACÚSTICO – UM BREVE RESUMO (querendo conhecer mais, é só correr atrás)
1. Apresentação.
O grupo musical paraibano Mulambo Acústico surgiu da ideia de mesclar ritmos da cultura popular nordestina a outros estilos musicais, procurando situar a sua criação musical de forma contemporânea, num contexto global, a partir da poesia de Chico Berg, que escreve e compõe desde a década de 60. A diversidade musical do grupo compõe um mosaico de maracatus, cirandas, cocos, afoxés, jazz, rock, afrobeat e uma visível influência tropicalista.

Mulambo Acústico - a música paraibana que se faz com um olho no mundo
2. O show.
A proposta do grupo conduz a uma apresentação de grande riqueza rítmica, harmônica, literária e lúdica. O grupo trabalha músicas de autoria própria, evidenciando-se no show do Mulambo uma estética onde se utilizam elementos da cultura regional, e exploram-se, em especial, o violão e a viola nordestina, além da percussão de ritmos tradicionais, aliados a outras linguagens musicais, pertencentes a diferentes universos expressivos.
3. A arte em favor dos Direitos humanos
O Mulambo, sensível à trágica realidade brasileira, conduz sua apresentação pelo ramo da denúncia social e aborda temáticas como a reforma agrária, o cárcere, o problema do negro no Brasil,a desigualdade, visando sobretudo, trazer à discussão uma proposta transformadora de mundo, a partir da arte-educação.
4.A atuação
O Mulambo Acústico possui uma trajetória dentro dos movimentos culturais. A banda vem participando de eventos promovidos por várias organizações e instituições locais – Ateliê Casa Velha, Batuque Quebra Quilos, grupo de cultura afrobrasileira Pérola Negra, Alabê Alujá, SESC, UFPB, CEFET, FUNJOPE, e pelos movimentos negro e estudantil, através da realização de shows e também na idealização e produção cultural.
5. O poeta Chico Berg

Chico Berg - poeta, compositor, vocalista e meu pai e meu brother.
Oriundo do interior do Ceará, o poeta Chico Berg é um misto de cultura urbana e rural. Sua produção artística é o reflexo da observação de bandas cabaçais, aboiadores, emboladores e grupos de maracatus, que marcaram sua vivência. Tendo chegado à cidade de João Pessoa, na década de 70, em plena ditadura militar, participou da Geração Xerox, sendo possível encontrar, espalhados pela cidade, vários livros de sua autoria, os quais gratuitamente distribuía para os transeuntes.
A partir de então, atua no cenário artístico do bairro de Jaguaribe, hoje, juntamente com seus filhos, que com ele compõem o grupo Mulambo Acústico, um dos quais é o responsável por este blog. Enquanto integrante fundamental do Mulambo, Chico Berg é o seu idealizador, sendo a sua liberdade musical e a profundidade da sua poesia as principais características das composições do grupo.
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Pra saber mais do Mulambo:
www.mulamboacustico.blogspot.com
Contatos:
Fones:
(83) 3241-2621
(83) 8893-1228
Favor não ligar a cobrar…
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A Noite da Beleza Negra – 19/06/09 Junho 4, 2009
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"A Noite da Beleza Negra" - 19/06/09
Coco de Roda – Zé Sabino (Lucena – PB) Dezembro 2, 2008
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[Na véspera desse registro que fizemos com o Coletivo de Cultura e Educação Meio do Mundo, estivemos em um coco na cidade de Lucena].
Chovia muito.
Cruzamos o mar a balsa e chegamos a tempo de assistir a festa da igreja.
Chovia mesmo. Eu lembro. Tinha um cachorro molhado, que olhava espantado pro coco. Não perdia um passo. Era o mais atento à dança.
Eu ainda pensei em explicar pra ele de que se tratava. Que aquilo é o coco e aquelas pessoas cantam o que cantam desde que nasceram. Que elas aprenderam com seus pais, que aprenderam com os seus. Não expliquei. Talvez ele nunca entendesse, como muitos paraibanos também não entendem.
Quanto àquela dança na lama… É que cultura popular tem disso mesmo.
Mas eu também estava espantado. Eu contei. Eram 28 pés de pessoas que, sem um porquê material, descalças, pisavam e chutavam o preto da lama.
Puxando o coco, um ganzá, dois tambores, dois velhos pescadores. No começo, um ou outro sorriso tímido, até que alguém, que creio bêbado, conquista o microfone, prestigiando-nos com atentados ao pudor, que não vêm ao caso.
Aquele canto cru do coco, escrevendo de novo a história, era muito bonito.
Na dança, as canelas, agora pretas de lama, testemunhavam o heroísmo de aquele coco cruzar os temporais e o tempo, e ainda estar ali.
A chuva. O rodopio das saias molhadas. O mar, lá longe, completava o côro das velhas. O toró áspero em cima da gente e a gente embaixo de um pedaço de lona furada que a prefeitura arrumou.
Minha alma, meu pé, ali. Na lama. Uma lama tão preta, como pretos eram os pés e braços que, no meio da noite, insistiam em dançar e tocar cantigas antigas de cocos de roda.
Panela Sem Feijão (Chico Berg) Janeiro 30, 2008
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Carnaval sem feijão na panela
É triste o viver
Sem o grito na goela.
Mas não tapem meu sol
Que aprendi quebrar cancela
Não pinte de escuro
A noite tão bela.
Carnaval sem feijão
O sonho se desvela
É grito abafado
De vento e de vela
No ventre do submundo
O mundo da favela
Mas não tapem meu sol
Que aprendi quebrar cancela
Carnaval sem feijão
Sonho que se desmantela
Na televisão da vida
Não se acaba a novela
Pra quem morre de fome
E não sai da janela
Não preciso de escola
Pra brigar pela tigela
Mas não tapem meu sol
Que aprendi quebrar cancela
A pedradas e gritos
Chove feijão na panela.
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Carnaval chegando sempre pede uma reflexão. Um samba que eu acho de uma intensidade muito grande.